Bem-estar de crianças e adolescentes cai de forma significativa, aponta relatório
/0 Comentários/em Blog/por movimentopelafelicidadeUm novo relatório da organização britânica The Children’s Society acende um alerta importante sobre a saúde emocional das novas gerações. Segundo a publicação, os índices médios de bem-estar subjetivo de crianças e adolescentes em 2022 e 2023 foram significativamente menores do que aqueles registrados no início do estudo Understanding Society, em 2009 e 2010.
O levantamento, intitulado How Has Children’s Wellbeing Changed? Reviewing the Evidence from the Good Childhood Research Programme, reúne tendências sobre bem-estar subjetivo de crianças e jovens, além de consultas realizadas com adolescentes em 2025. O foco está em compreender como eles avaliam a própria vida, seus sentimentos, suas relações e os ambientes em que crescem.
Uma queda que vem sendo observada há anos
De acordo com o relatório, desde 2017 cada edição anual do Good Childhood Report tem apontado uma redução significativa na felicidade das crianças em relação à vida como um todo, quando comparada aos primeiros anos do estudo Understanding Society.
Embora a maioria das crianças e adolescentes ainda pareça levar uma vida relativamente feliz, a pesquisa chama atenção para uma parcela importante que relata baixo bem-estar subjetivo ou baixa satisfação com a vida. Esse grupo merece atenção especial porque pode estar mais vulnerável a dificuldades emocionais, escolares, familiares e sociais.
As consultas realizadas com jovens sugerem que essa piora pode estar relacionada a múltiplas pressões enfrentadas por eles e por suas famílias. Entre essas pressões estão desafios econômicos, cobranças escolares, inseguranças sobre o futuro, questões de imagem, mudanças nas relações comunitárias e uma sensação crescente de enfraquecimento do apoio coletivo.
Redes sociais não explicam tudo
Um dos pontos relevantes do relatório é que o uso de redes sociais, isoladamente, não aparece como o principal fator para explicar mudanças na satisfação com a vida. No entanto, o uso muito intenso dessas plataformas parece ter impacto negativo sobre o bem-estar.
Essa observação ajuda a qualificar o debate. Em vez de tratar a tecnologia como única vilã, o relatório sugere olhar para o conjunto da vida dos jovens. O excesso de telas pode contribuir para ansiedade, comparação social e sensação de inadequação, mas ele se combina com outros fatores, como ambiente familiar, escola, qualidade das relações, segurança emocional e oportunidades de pertencimento.
Para a ciência da felicidade, esse ponto é essencial. O bem-estar não nasce de um único elemento, mas da interação entre condições internas e externas. Crianças e adolescentes precisam de vínculos seguros, escuta, rotina, espaços de convivência, reconhecimento e sentido. Quando esses pilares se enfraquecem, a vida emocional também se torna mais frágil.
Meninas relatam menor felicidade em áreas importantes da vida
O relatório também aponta uma diferença significativa entre meninos e meninas. Em 2021 e 2022, e novamente em 2022 e 2023, meninas de 10 a 15 anos relataram níveis de felicidade significativamente menores do que os meninos em relação à vida como um todo, à aparência, à família e à escola.
Esse dado reforça uma preocupação já presente em muitas discussões sobre saúde mental juvenil. Meninas adolescentes frequentemente enfrentam pressões intensas ligadas à imagem corporal, desempenho, aceitação social e expectativas familiares. Em uma fase da vida marcada por mudanças físicas e emocionais profundas, essas cobranças podem pesar ainda mais.
Por isso, falar sobre felicidade na infância e na adolescência não significa propor uma visão ingênua ou superficial da vida. Significa reconhecer que bem-estar é uma competência humana que precisa ser cuidada, aprendida e sustentada por ambientes mais saudáveis.
Medir para cuidar melhor
A Children’s Society defende a criação de um programa nacional de medição do bem-estar, com o objetivo de compreender, em larga escala, os fatores que moldam a experiência subjetiva de crianças e jovens. A organização argumenta que esse tipo de acompanhamento permitiria conhecer melhor a realidade de diferentes grupos, inclusive aqueles com características específicas ou que vivem em regiões distintas.
A proposta também ajudaria governos, escolas, comunidades e instituições a formular políticas públicas mais adequadas. Afinal, aquilo que não é medido tende a permanecer invisível. E quando o sofrimento de crianças e adolescentes não é visto, ele também demora mais a ser acolhido.
Essa perspectiva se aproxima da visão defendida pelo Instituto Movimento pela Felicidade: a felicidade e o bem-estar precisam ser compreendidos com base científica, observados de forma sistemática e transformados em práticas concretas. Não basta desejar que crianças sejam felizes. É preciso criar condições para que elas floresçam.
Infância, comunidade e futuro
O relatório britânico nos lembra que a felicidade das crianças não depende apenas de escolhas individuais. Ela também está ligada à qualidade das famílias, das escolas, das comunidades e das políticas públicas. Uma criança que cresce em um ambiente acolhedor, com relações positivas e senso de pertencimento, tem mais chances de desenvolver segurança emocional e confiança na vida.
Ao mesmo tempo, quando a comunidade perde força, quando as famílias vivem sobrecarregadas e quando a escola deixa de ser um espaço de vínculo e cuidado, o bem-estar dos jovens tende a sofrer. A infância precisa ser protegida não apenas com recursos materiais, mas também com presença, escuta, afeto e oportunidades de participação.
Cuidar do bem-estar das novas gerações é uma responsabilidade coletiva. É um investimento no presente e no futuro. Porque crianças e adolescentes que se sentem vistos, amparados e valorizados têm mais condições de construir vidas saudáveis, relações positivas e sociedades mais humanas.
Postagem inspirada na notícia “Children’s Society: young people’s wellbeing significantly lower”.





Deixe uma resposta
Want to join the discussion?Feel free to contribute!