Recorde de afastamentos por doença em 2025 acende alerta sobre saúde e bem-estar no trabalho
Um número grande demais para virar rotina
No Brasil, mais de 4,12 milhões de trabalhadores precisaram se afastar temporariamente das suas atividades em 2025 por motivos de saúde, segundo dados do Ministério da Previdência Social. O salto de 15% em relação a 2024 transforma o tema em algo maior do que estatística: é um retrato do quanto o trabalho, o corpo e a mente estão sendo pressionados ao mesmo tempo.
Quando um afastamento acontece, ele não interrompe apenas a produtividade. Ele mexe com renda, identidade, autoestima e com a sensação de segurança. E, na prática, também revela onde a prevenção falhou, seja na ergonomia, no ritmo de trabalho, no suporte emocional ou na qualidade das relações dentro das equipes.
Dor nas costas lidera e transtornos mentais avançam
Pelo terceiro ano seguido, dor nas costas foi o principal motivo de concessão do benefício por incapacidade temporária, com 237.113 concessões registradas. Logo atrás vieram lesões e desgastes dos discos intervertebrais, como hérnia de disco, com 208.727 casos, além de fraturas na perna e tornozelos, somando 179.743 afastamentos.
Chama atenção também o crescimento de afastamentos por questões de saúde mental. A ansiedade motivou 166.489 benefícios, e episódios depressivos resultaram em 126.608 concessões, ambos com alta em relação ao ano anterior. É um dado que reforça algo que muita gente percebe no dia a dia: o cansaço não é só físico, e nem sempre aparece de forma óbvia antes de derrubar a pessoa.
Diferenças entre homens e mulheres mostram que o problema não é único
Os números por gênero ajudam a entender que as causas não se distribuem de forma igual. Do total de benefícios concedidos, 2,10 milhões foram destinados a mulheres e 2,02 milhões a homens. Entre as mulheres, destacam-se dores na coluna e ansiedade, seguidas por lesões nos discos. Entre os homens, predominam fraturas nas pernas e tornozelos, dores nas costas e lesões nos discos.
Essas diferenças costumam refletir uma mistura de fatores: tipo de ocupação, carga física, exposição a riscos, além de camadas invisíveis como dupla jornada e estresse prolongado. Por isso, qualquer resposta séria precisa ir além de “cada um que cuide de si” e encarar o bem-estar como parte do desenho do trabalho.
O que é o benefício por incapacidade temporária e por que ele importa
O benefício por incapacidade temporária, conhecido por muito tempo como auxílio-doença, é pago pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) a trabalhadores que ficam impedidos de exercer suas funções por um período devido a doença ou acidente, que pode ou não ter relação com o trabalho. Em geral, a lógica é proteger a renda quando o afastamento passa de 15 dias, desde que a incapacidade seja comprovada em avaliação médica.
Especialistas ouvidos na reportagem lembram que o valor não pode ser inferior ao salário mínimo e que, para solicitar, normalmente é necessário ter um tempo mínimo de contribuição, além de passar por perícia. O processo costuma envolver agendamento e apresentação de documentos, laudos e exames, com organização das informações no aplicativo Meu INSS. Como regras e exigências podem variar conforme o caso, vale sempre checar os canais oficiais e, se necessário, buscar orientação profissional.
Bem-estar não é “benefício”, é estratégia de saúde e de cultura
Esse recorde é um convite duro para repensar prioridades. O Instituto Movimento pela Felicidade e Bem-Estar nasceu justamente para apoiar a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis, usando a felicidade como ferramenta de transformação da cultura organizacional, com mais propósito e valor, e não apenas com mais cobrança. Quando o cotidiano vira um teste de resistência, o corpo cobra na coluna e a mente cobra na ansiedade. Quando a cultura muda, o risco diminui antes de virar afastamento.
Isso passa por prevenção real, com gestão que respeite limites, liderança que não normalize a exaustão, conversas honestas sobre carga de trabalho e políticas que tratem saúde mental como parte do funcionamento da empresa, não como assunto particular e silencioso. Também passa por diagnóstico e melhoria contínua, algo que está no centro do Programa de Felicidade, Bem-Estar e Saúde Mental no Trabalho do Instituto, voltado para medir e aprimorar práticas de gestão que influenciam engajamento e resultados.
No fim, afastamentos são um sinal. Eles mostram onde a vida ficou pesada demais para ser sustentada. E, em tempos de tantas demandas, talvez a pergunta mais importante para organizações e profissionais seja simples: o trabalho está ajudando as pessoas a viver melhor ou apenas a aguentar mais um dia?
Postagem inspirada na notícia “Doenças causaram o afastamento de 4,1 mi de trabalhadores das suas funções em 2025“.





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