Ouvir de verdade o colaborador: o caminho mais curto para bem-estar e melhores resultados
/0 Comentários/em Blog/por movimentopelafelicidadeA série Separação, da Apple TV+, mostra personagens que vivem uma cisão radical: uma versão existe no trabalho e outra fora dele, sem memória cruzada entre os dois mundos. Na vida real, não há esse interruptor. Como lembra o psicólogo e coach Enrique Matarín, é impossível “desconectar” da própria vida quando se entra para trabalhar. Pessoas chegam à empresa com dores, preocupações e contextos que não desaparecem ao bater o ponto. Por isso, organizações que querem cuidar de bem-estar precisam começar pelo básico, e ao mesmo tempo pelo mais difícil: criar condições reais para que o colaborador seja escutado.
Escutar, aqui, não é uma conversa simbólica nem uma pesquisa anual de clima. É oferecer espaços seguros em que alguém possa falar do que preocupa, receber ferramentas para lidar com a situação e sentir que não será julgado. E o texto ressalta um ponto que costuma convencer até os mais céticos: além de ser humano, isso é economicamente inteligente, porque bem-estar tende a se refletir em produtividade e redução de absenteísmo.
Quando o trabalho vira mecânico, a motivação vai embora
Amira Bueno, diretora de RH da Cigna Healthcare Espanha, defende que o mesmo foco que muitas empresas colocaram no cliente precisa ser colocado no colaborador, de forma recorrente, para identificar sinais precoces de que algo não vai bem. O texto cita um dado que assusta: 42% dos espanhóis dizem não se sentir motivados no trabalho, acima da média global do mesmo relatório.
A explicação sugerida passa por uma espécie de despersonalização do trabalho. Cresce a sensação de que o papel das pessoas é cumprir tarefas mecânicas, sem reconhecimento e sem conexão com um propósito maior. E quando o trabalho perde sentido, o desgaste emocional encontra terreno fértil. Recuperar a dimensão humana, portanto, não é um “plus” cultural. É um fator de proteção.
Um exemplo prático: escuta ativa com estrutura e pertencimento
O texto traz o caso da Ilunion Hotels, braço hoteleiro do Grupo Social ONCE, que criou uma figura dedicada ao bem-estar integral: o DEIB coach (diversidade, equidade, inclusão e pertencimento). A lógica é simples e robusta: ouvir todos os colaboradores, construir vínculo em espaço seguro e compreender a realidade da pessoa em múltiplas dimensões, não apenas a profissional, mas também emocional, física, financeira e familiar.
Um detalhe que dá vida ao relato é a rotina da coach Laura Expósito, que aprende a ler sinais além do “tudo bem” automático e oferece conversas informais ou encontros em local reservado, para garantir privacidade. A escuta deixa de ser abstrata e vira prática cotidiana.
Há também uma experiência piloto com camareiras de piso, em grande parte mulheres migrantes, que relataram solidão não desejada, inclusive porque passam muitas horas trabalhando sozinhas nos quartos. A solução foi criar um grupo mensal de encontro e empoderamento, com participação de superiores, para compartilhar vivências e também para que elogios de clientes chegassem a quem antes não recebia esse reconhecimento. O efeito descrito é forte: crescimento, rede social que transborda para fora do hotel e melhora expressiva no clima.
Cuidar não é só ouvir: é acompanhar e remover obstáculos reais
A iniciativa inclui entrevistas de acompanhamento, reuniões com chefias para monitorar equipes e apoio em situações pessoais, que às vezes só pedem desabafo e, em outras, precisam de mediação de comunicação, orientação e acompanhamento. Além disso, há ajudas sociais concretas para livros, atividades, aluguel e outros itens, com ampliação do “catálogo” a partir do que os próprios colaboradores relatam.
O texto ainda traz números de escala do programa, reforçando que bem-estar pode ser gerido com método: milhares de acompanhamentos, centenas de pessoas beneficiadas diretamente e identificação de vulnerabilidades que antes passavam invisíveis.
O olhar do Instituto Movimento pela Felicidade
Para o Instituto Movimento pela Felicidade e Bem-Estar, essa matéria toca em um ponto central: felicidade e bem-estar não são apenas estados internos, mas também resultado do ambiente e das relações. “Escuta ativa” é mais do que uma competência de liderança, é um dispositivo de pertencimento. Quando alguém se sente visto, ouvido e reconhecido, diminui a sensação de ser apenas um número e aumenta a chance de perceber sentido no que faz, o que sustenta saúde mental, engajamento e vínculos mais positivos.
No fim, a lição é direta: empresas que escutam de verdade não estão apenas resolvendo problemas individuais. Estão reconstruindo cultura, fortalecendo redes de apoio e criando condições para que o trabalho volte a ser um espaço de humanidade, e não só de entrega.
Postagem inspirada na notícia “Escuchar (de verdad) al empleado, un elemento clave para su bienestar”.




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