Um marco histórico: Coreia do Sul encerra mercado de carne de cachorro

A Coreia do Sul está colocando em prática uma das mudanças culturais mais simbólicas da sua história recente: a proibição total da criação, do abate, da venda e da distribuição de carne de cachorro, com prazo final para entrar plenamente em vigor em fevereiro de 2027. A legislação prevê punições que podem incluir prisão e multas elevadas para quem continuar operando no setor quando o período de transição acabar.

A medida é celebrada por defensores do bem-estar animal e por uma parcela crescente da sociedade sul-coreana que passou a enxergar cães, cada vez mais, como animais de companhia. Ao mesmo tempo, ela escancara um impasse prático e urgente: o que fazer com quase meio milhão de cães que ainda estão em fazendas ligadas a esse mercado.

Uma lei histórica, um prazo curto e um problema enorme para resolver

O governo anunciou que pretende apoiar o encerramento das atividades e facilitar o destino desses animais por meio de incentivos e subsídios. Segundo a agência Reuters, o plano inclui recursos para estimular o fechamento de negócios e pagamentos por cão entregue, além de esforços para adoção e encaminhamento a abrigos. Autoridades também afirmaram que a eutanásia não é o objetivo do programa.

Ainda assim, organizações de proteção animal alertam que a rede de abrigos já opera no limite e que a logística de reabilitar, vacinar, socializar e realocar tantos cães é complexa. Boa parte desses animais é de porte grande e menos procurada em grandes cidades, o que torna o desafio ainda maior.

Números que variam e uma mudança clara de atitude

Uma frase que circula bastante sobre “salvar 80.000 cães por ano” ajuda a traduzir a intenção humanitária da lei, mas os números associados ao setor variam muito conforme a fonte e o recorte. Há estimativas internacionais que apontam quantidades bem mais altas, e há levantamentos oficiais citados por veículos e organizações que falam em centenas de milhares de cães criados em fazendas. Em vez de um único número, o dado mais consistente é a direção da mudança: o consumo perdeu espaço e a rejeição social cresceu.

Essa virada aparece em pesquisas recentes citadas por veículos internacionais, nas quais a grande maioria dos entrevistados afirma não ter intenção de consumir carne de cachorro e, em muitos casos, também apoia a proibição.

O que essa história diz sobre bem-estar e felicidade coletiva

Mudanças desse tamanho raramente são simples porque envolvem economia, tradição, identidade e, sobretudo, pessoas. Quando um país altera uma prática de longa duração, surge um ponto decisivo: como transformar sem desumanizar. O debate na Coreia do Sul mostra que compaixão precisa valer para os animais e também para quem dependeu desse mercado por décadas, especialmente trabalhadores mais velhos e com menos alternativas.

Pelo olhar do Instituto Movimento pela Felicidade, há um aprendizado valioso aqui: bem-estar não nasce só de proibições, mas de transições cuidadosas. Quando a sociedade escolhe reduzir sofrimento, ela também precisa criar caminhos para que a mudança não produza abandono, clandestinidade ou novas formas de dor. A felicidade, no sentido mais profundo, tem muito a ver com responsabilidade, ética e com a capacidade de cuidar do todo, inclusive quando isso dá trabalho.

Postagem inspirada na notícia “A Coreia do Sul fechou o mercado de carne de cachorro, contribuindo para salvar cerca de 80.000 cães todos os anos”.

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