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A Felicidade incentiva o Turismo ou Turismo traz Felicidade?

Artigo de Marina Simião

Afirmar que Guimarães Rosa era feliz o tempo todo, seria no mínimo leviano, afinal, gênios também são de carne, ossos e sentimentos. Porém, ao constatar que “felicidade se acha em horinhas de descuido”, ele traduz, de forma simples, que pensar felicidade enquanto um caminho a ser percorrido, faz mais sentido do que tê-la como um ponto de chegada, em uma busca incessante.

A felicidade tem sido foco de debate e colocada em destaque nos últimos tempos. Reconhecida enquanto ciência, foi, pela primeira vez, definida pelo Reino do Butão como base para orientação e mensuração da capacidade de geração de riqueza e desenvolvimento de um território e sua população, através do FIB – Felicidade Interna Bruta. Teve, em 2013, sua relevância destacada pela Organização das Nações Unidas, quando foi instituído o dia 20 de março como o Dia Internacional da Felicidade.

Este cenário permite inferir que a felicidade passou a transitar da esfera do indivíduo, para o coletivo. Deixou de ser compreendida apenas como algo particular, para ser compartilhada, passando do etéreo ao mensurável.

Em uma sociedade em que o consumo de medicamentos se torna cada vez mais excessivo, e as doenças psicológicas também, situação agravada pelo enfrentamento à uma pandemia nos últimos dois anos, a compreensão da felicidade torna-se pauta essencial. Seja para o planejamento e desenvolvimento de políticas públicas, reflexões sobre o futuro do trabalho, vida em sociedade e que, dentre as várias consequências que seu efeito poderá ter, está também a possibilidade de vir a se tornar uma ferramenta de incentivo à atividade turística.

No turismo há uma espécie de “mantra” que diz que um destino turístico será bom para o turista, se for bom para o morador. Claro, não sejamos ingênuos em afirmar que esta é uma realidade de todos os destinos, este não é o objetivo. O ponto aqui é considerar que a felicidade se torna uma diretriz que contribui para ganho de qualidade de vida da população, seja com melhores serviços, seja com novas oportunidades de emprego e renda, seja com a melhoria da gestão do território. Assim, onde existe uma sociedade mais feliz, as chances desta ter um perfil acolhedor e receptivo aumentam e contribuem positivamente para a construção da imagem, posicionamento e reputação de um destino turístico.

Do outro lado desta equação está o próprio turista, o indivíduo. O que nos faz retornar ao caráter também particular da felicidade. Cada indivíduo terá sua forma de vivenciar a felicidade. Para alguns, será a possibilidade de estar mais tempo com família e amigos, para outros, poder praticar esportes, desenvolver hobbies como dança, leitura, arte, e para muitos, a realização de viagens.

Pesquisas recentes demonstram que viajar tem sido cada vez mais identificado como fonte de felicidade do que a aquisição de bens materiais, até mesmo da casa própria. Isso porque, a satisfação e o sentimento de felicidade ao adquirir bens é momentâneo, e se dissipa à medida em que este novo bem passa a fazer parte da rotina. Já a viagem gera memórias das experiências vivenciadas, experiências estas que promovem uma contínua sensação de felicidade ao serem lembradas, compartilhadas.

Turismo é a oportunidade do encontro. Viagens dão a chance de pessoas com histórias, memórias, culturas e origens, completamente distintas, terem a oportunidade de se conhecer, conversar e compartilhar alguns momentos.

Evidente que este contato ocorre das mais variadas formas e nos mais variados segmentos de turismo, como turismo cultural, de aventura, rural, etc. Mas, destaco o Turismo Criativo, termo cunhado no início dos anos 2000, que remete à uma forma de praticar turismo, e que, para simplificar, busca combinar a possibilidade de o turista experimentar suas habilidades criativas, a partir da realização de experiências com atores criativos locais. Por exemplo, participar do preparo de um jantar temático, uma aula de dança típica, ou a imersão em um ateliê de arte.

O “turista criativo” tem uma postura mais participativa do que o turista tradicional, ele almeja, além de conhecer pontos turísticos, paisagens e lugares, conhecer pessoas, seus modos de vida e assim, criar memórias e ter experiências que serão realmente únicas.

A pandemia impactou toda a cadeia produtiva do turismo e foi necessário aprender, na dor, seu caráter estratégico para desenvolvimento de riqueza e oportunidades de emprego e renda. Porém, um outro ponto também foi evidenciado, a necessidade que nós, seres humanos, temos de interagir. E neste quesito, a retomada das viagens, com o abrandamento das restrições, reaberturas de fronteiras e o avanço na vacinação, se torna sim uma oportunidade para resgatar esta atividade econômica, mas, não menos importante, se torna o momento para retomar experiências de felicidade.

Sendo assim, para responder a pergunta inicialmente apresentada, compreendo que as duas possibilidades são possíveis, porém, para que sejam alcançadas é importante não agirmos como o “avôzinho infeliz” do poema “Felicidade” de Mário Quintana, que busca por toda parte, o que está na ponta do nariz.

Marina Simião
Turismóloga, Mestre em Economia Criativa e Diretora de Difusão do Conhecimento do Instituto Movimento pela Felicidade

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